O atendimento domiciliar aos pais de recém-nascidos, realizado por enfermeiras especialistas, visa o inicio do aleitamento materno e os cuidados com o bebê. Mas quais são as dúvidas? De que sofrimento se trata? Haveria ainda lugar para dúvidas no que diz respeito à maternidade e paternidade?

O instinto de modo geral garante aos animais respostas fixas e geneticamente transmitidas no cuidado com a prole, embora haja certa complexidade nessa questão. Entre os humanos a linguagem supõe cultura e, portanto transmissão. Se há cultura há variações de acordo com a geografia e com a história de cada grupo. E se há história há aquela de cada um, individualmente. Cada criança nasce de uma mãe e de um pai, que por sua vez também os tiveram. São inúmeras histórias cruzadas, que não poucas vezes incluem diversas línguas, diversos países, costumes, hábitos.

A possibilidade de se pensar como pai e mãe implica uma referência humana com tudo que isso significa: boas e más experiências. No entanto, a presença real do bebê, sua fragilidade e dependência, a responsabilidade suscitada pela sua existência pede uma nova organização. Os pais já sabem ou conhecem muitas coisas, mas aquela situação, com todas as urgências que ela carrega é nova, primeira.

Espera-se que o bebê se alimente, durma, evacue, goste do que lhe é oferecido. Mas isso nem sempre se dá com facilidade. Há um encontro que nunca houve antes, as pessoas não são nada familiares entre si. O homem convive com uma nova mulher, agora mãe; e seu parceiro, agora é pai. Cuidar de um recém-nascido envolve questões culturais, sociais, geracionais, psíquicas e até políticas. Os pais sofrem pressões vindas de todos os lados: das famílias, do médico, do grupo social. Espera-se que se saiam bem.

O bebê traz suas próprias expectativas, e se manifesta chorando quando alguma coisa incomoda. Todo esse cenário leva as mães a certa insegurança e até mesmo tristeza. Os pais ficam um tanto desamparados entre o choro da mulher e o choro do bebê. A presença de uma pessoa, fora do círculo familiar, que representa os interesses dos pais e do bebê, experiente no que diz respeito às angustias e mal estares que acometem todos os envolvidos, tem a possibilidade de ajudar na nova organização.

– Como é mesmo que eu tenho que segurar o bebê na hora do banho? E agora, o coto do umbigo… Ele está esquisito. Basta colocá-lo no peito, ele dorme… Meu peito está machucado, sinto muita dor… Ele chora de cólica ou de gases… Ainda está tão amarelo… Não consigo nem ir ao banheiro… Minha mãe não concorda com nada que eu faço… Meu leite é pouco… Devo oferecer chupeta? Não sei se estou limpando direito, tenho medo de machucá-la… Não suporto seu choro… Meu marido dorme a noite toda… Tenho medo de ficar sozinha com ele… Ele troca o dia pela noite… Convenhamos, há muito para administrar. Muito além do que pode ser dito. Nada como uma boa assessoria. 

Saiba como agendar uma Visita Domiciliar Pós-Parto.