Muitos pais ficam confusos e não conseguem diferenciar regurgitação, vômito e refluxo. Em todas as situações o bebê elimina leite pela boca e mesmo pelo nariz. Realmente, parece ser tudo igual e por mais que o pediatra insista nas diferenças, nem sempre é tão fácil percebê-las.

Vamos lá:

regurgitação ou golfada é a eliminação do conteúdo gástrico sem esforço algum dos músculos e principalmente sem sintomas. As golfadas são muito comuns para a grande maioria dos bebês nos primeiros 4 meses de idade, mas de qualquer forma eles continuam crescendo e ganhando peso. Não é necessário alterar a rotina do bebê, nem dar de mamar novamente. Espere o horário da próxima mamada.

vômito é quando a criança expulsa o conteúdo gástrico com esforço e desconforto. Ele vem acompanhado de náuseas, sudorese, mal estar e algumas vezes de febre. Quem já vomitou sabe do que estamos falando. Precisamos ficar atentos porque nem todo bebê que vomita tem refluxo, no entanto muitos bebês com refluxo vomitam.

No refluxo esofágico o bebê, mesmo com fome, não consegue mamar. Ele ganha pouco peso e tem dificuldade para dormir ou tem o sono interrompido por engasgos e dor. Durante a amamentação ele pode brigar com o peito: muitas vezes mama apenas alguns minutos, e depois se arqueia para trás e começa a chorar. Ou então, o bebê quer mamar o tempo todo, porque o leite materno alivia o desconforto e a azia. Às vezes a criança não elimina o leite que, no entanto, volta até uma parte do esôfago, causando azia, dores e falta de apetite. Todos esses sintomas podem aparecer em conjunto ou isoladamente no refluxo.

O QUE FAZER

Mantenha um diário, por alguns dias, anotando quando o bebê chora, quanto tempo dura o choro, quais os horários dos choros e das mamadas.

O diagnóstico do refluxo deve ser feito junto com o pediatra e o tratamento é específico para cada bebê e para cada família.

MUDANÇAS DE HÁBITO RECOMENDADAS

 – Continue amamentando porque o leite materno é facilmente digerido;
–  Coloque o bebê para mamar em posições mais verticalizadas, para diminuir a possibilidade do leite voltar;
–  Coloque o bebê para arrotar logo após a mamada, mantendo-o na posição vertical por aproximadamente 10-15 minutos;
–  Evite o uso do bebê conforto em casa;
–  Evite fraldas apertadas e elásticos que pressionam o estômago do bebê;
– Não volte a amamentar o bebê logo depois dele vomitar. Espere o horário da próxima mamada;
– A livre demanda é recomendada para todos os bebês e é essencial para que a mãe estabeleça uma boa produção de leite. Para alguns bebês com refluxo recomenda-se um aleitamento rigoroso a cada 3 horas, por no máximo 15 minutos em cada peito. Para outros é melhor que façam “pequenas refeições”, em curtos intervalos de tempo, evitando que o estômago fique muito cheio, e facilite um novo episódio de refluxo. O pediatra saberá orientá-la.
– Evite fumaça de cigarro. Sempre.

É preciso ter cuidado para não confundir, apressadamente, o normal (regurgitação) com o patológico (refluxo).

O seu pediatra deverá ajudá-la a reconhecer o que ocorre com o seu bebê.

Doris Ammann Saad
Enfermeira