Dizem que tudo o que acontece é por conta dos hormônios! Se até então eram os hormônios gestacionais (estrógeno e progesterona), agora são aqueles da amamentação (prolactina e ocitocina). As mulheres são banhadas por hormônios, o que pode explicar algumas turbulências emocionais, mas nem todas. Por exemplo, como diferenciar a tristeza e a depressão na gangorra emocional do pós-parto?

A tristeza materna ou “baby blues” costuma acontecer na primeira semana pós-parto e ter uma duração de 15 a 20 dias. É um choro fácil que acontece com 8 entre 10 mulheres. As mães adotivas também vivem o “baby blues”, o que nos mostra que não é apenas o banho hormonal mas a própria presença do bebê que provoca alterações.  Veja o que muitas vezes acontece com a mãe:  

  • Sentimento de incapacidade para cuidar do filho, embora cuide com responsabilidade;
  • Crises de choro, sem motivo aparente, ou choro quando o bebê chora;
  • Mudanças repentinas e frequentes de humor;
  • A tristeza, o cansaço e a irritação convivem com a alegria e mesmo a euforia;
  • Sente-se presa e teme ter perdido a liberdade para sempre;
  • Teme que o corpo não volte à forma anterior;

 Como ajudar? Muitas vezes as mães ficam hiper-excitada e mesmo exaustas, não conseguem se desligar do bebê. O parceiro, a família e a própria mulher chegam a duvidar que consiga dar conta da maternidade. Mas é assim mesmo. No mesmo dia, ou em alguns dias tudo muda. Coordene as tarefas da casa, e fique com o bebê para que a mulher possa descansar.

A depressão pós-parto pode começar na primeira semana pós-parto e durar por até dois anos. A mulher tende a sentir-se culpada por não ter vontade de cuidar do bebê e tenta esconder um sofrimento intenso, muitas vezes mal compreendido pela família e pelo próprio médico. A depressão pós-parto requer um acompanhamento psicológico e psiquiátrico, pois muitas vezes a mulher precisa ser medicada. Veja o que a mulher pode viver:

  • Uma tristeza profunda e um choro incontrolável;
  • Irritabilidade e mudanças bruscas de humor;
  • Indisposição;
  • Falta de concentração;
  • Distúrbios do sono e/ou do apetite;
  • Desinteresse pelas atividades do dia-a-dia;
  • Preocupação excessiva com a saúde do bebê, ou perda de interesse pelo bebê;
  • Incapacidade de cuidar do bebê e medo de machucá-lo;

Como ajudar? Não acuse a mulher de preguiçosa ou folgada. Procure a ajuda de profissionais da saúde. Um bom médico saberá indicar a necessidade de ajuda psicológica. E o psicólogo saberá indicar a necessidade de ajuda medicamentosa. É fundamental que outro adulto cuide ou ajude a cuidar do bebê, com alegria, até que a mãe se recupere.

Por último temos um distúrbio mental muito raro e muito grave, que se manifesta nas duas primeiras semanas pós-parto. Na psicose puerperal logo se percebe que há algo muito estranho acontecendo com a mãe. Ela tem comportamentos desorganizados,  agitação corporal e pensamentos absurdos ligados ao bebê, como achar que ele não nasceu, foi trocado, está morto ou tem algum defeito. O que fazer? Um adulto precisa assumir os cuidados com o bebê para que ele não fique com a saúde comprometida. A mãe precisa ficar separada do bebê, jamais não pode ficar sozinha com ele, para prevenir, no extremo, que ela o agrida. Também há risco de suicídio. A amamentação deve ser interrompida até que a mãe possa voltar a cuidar da criança. A situação exige acompanhamento e medicação psiquiátrica e, em casos mais graves, uma internação hospitalar