Na quarentena, primeiros 40 dias pós-parto, a mulher não pode ter relações sexuais. A ferida placentária está cicatrizando, a mulher sangra e não pode correr risco de contaminação e infecção.
A alta obstétrica libera as relações sexuais, no entanto há uma outra restrição, a mulher praticamente não percebe o parceiro. Não se assustem, mas é assim mesmo.

Há um bebê na casa que precisa de atenção de dia e de noite, e isso é sempre muito cansativo. Paciência e bom humor podem ajudar o casal a se aproximar seja pela via do companheirismo, da solidariedade, ou da ternura.

A experiência da maternidade e da paternidade inaugura um novo casamento.

Se o homem precisa voltar a namorar sua mulher, ela precisa abrir um espaço para o encontro e o namoro.
Muitas vezes o reencontro é uma grata surpresa, quando há desencontro exige-se uma atenção de lado a lado. Aos poucos renasce o erotismo e a sexualidade.

Estatísticas apontam o nascimento do primeiro filho como responsável por 60% das separações oficiais. Podemos supor que a maternidade e a paternidade inauguram um exercício que seria a causa primeira das separações.
O casamento acaba  quando nasce uma família?


Se o núcleo familiar é regido por um ideal de felicidade amorosa e sexual, se o outro é responsável por TUDO aquilo que preciso para ser feliz, qual seria o lugar do filho?

A presença do filho propõe para o par amoroso o desmanche da ilusão de que “somos um”… Podemos ser UM em momentos fugazes… Mas no dia a dia cada um dos pais percebe o filho de um ângulo diferente. A mãe quer deixar o bercinho no quarto do casal, o pai diz que já é hora de recuperar o leito conjugal. A presença do filho exige que pai e mãe lidem com suas diferenças e isso pode ser desgastante. 

A grande armadilha que se coloca para cada um dos pais é que o companheirismo seja substituído por cobranças sem fim. E que homens e mulheres não saibam mais o que fazer e o que deixar de fazer. A conjugalidade não pode ser apenas paixão, ela precisa incluir a conversa, a delicadeza, generosidade, ternura, companheirismo.

Se o filho é um convite para que o casal perca o foco, é preciso um cuidado redobrado pois fica muito pesado para uma criança tornar-se a causa da separação ou do desentendimento entre os pais. 

Ter um filho convida homens e mulheres a repensar o casamento com suas supostas almas gêmeas… É um exercício de convivência, uma oportunidade impar de crescimento.