Dar colo para um recém-nascido vicia? Jamais… Dar colo pode viciar os pais que não buscam outros recursos para se aproximar do bebê na medida em que ele vai crescendo. Dar colo a um bebê é dar-lhe referências do mundo. As palavras do pediatra francês Frédérick Leboyer são mais eloquentes:

As primeiras semanas que se seguem ao nascimento

são como a travessia de um deserto.

Deserto povoado de monstros:

as novas sensações que,

brotadas do interior,

ameaçam o corpo da criança.

Depois do calor no seio materno,

depois do terrível estrangulamento do nascimento,

a enregelada solidão do berço.

A seguir, aparece uma fera,

a fome,

que morde o bebê nas entranhas.

O que enlouquece a pobre criança

não é a crueldade da ferida.

É essa novidade:

a morte do mundo que a rodeia

e que empresta ao monstro

exageradas proporções.

Como acalmar essa angústia?

Nutrir a criança?

Sim.

Mas não só com o leite materno.

É preciso pegá-la no colo.

É preciso acariciá-la, embalá-la.

E massageá-la.

É necessário conversar com a sua pele,

falar com suas costas

que têm sede e fome,

como sua barriga.

Nos países que preservam

o profundo sentido das coisas,

as mulheres ainda se recordam disso tudo.

Aprenderam com suas mães

e ensinarão às suas filhas

esta arte profunda, simples

e muito antiga

que ajuda a criança a aceitar o mundo

e a sorrir para a vida.

Referência: Shantala – massagem para bebês: uma arte tradicional

     Frédérick Leboyer, Editora Ground, 1995

Frédérick Leboyer, médico e professor aposentado da Universidade de Paris, foi o primeiro obstetra a mudar as crenças conservadoras sobre a consciência do recém-nascido na sociedade ocidental. Os seus livros sobre nascimento revolucionaram definitivamente os cuidados pré-natais e a maneira como os bebês são recebidos no mundo. Informe-se sobre a Roda de Pais: um espaço para escutar, perguntar e aprender sobre o dia-a-dia com os filhos.