A primeira reação das pessoas ao verem um recém-nascido chorar é dizer que ele está com cólicas, não é mesmo?

Mas o que é de fato a cólica? As cólicas fazem parte da adaptação do aparelho digestivo, são acompanhadas de vermelhidão, esforços e até suor por parte da criança. Elas podem ocorrer desde as primeiras semanas de vida até os quatro meses e variam muito de criança para criança. Enquanto algumas quase não têm cólicas, outras têm com mais frequência.

Alguns esclarecimentos:

  •  Não é possível prever este desconforto;
  •  Independem do fato da criança estar mamando no peito ou na mamadeira;
  •  Quanto mais tenso e tumultuado for o meio ambiente, mais intensas e/ou frequentes serão as cólicas.

É importante que os pais se deem conta do círculo vicioso que pode se estabelecer entre a sua própria tensão e as cólicas do bebê, e tentem manter a calma. Ao mesmo   tempo é conveniente evitar a ingestão excessiva de ar pois o excesso de gases distendem o intestino e tendem a piorar as cólicas. Por exemplo: às vezes as mamas estão muito cheias e o bebê, ávido de fome, não consegue abocanhá-la e ao insistir ingere muito ar. A dica é ordenhar um pouco de leite para que o mamilo se torne mais flexível para o bebê. No caso de mamadeiras e/ou chucas, ofereça-as bem inclinadas para impedir que o ar interno seja ingerido.

Como identificar as cólicas?

Os bebês choram, ficam vermelhos, suam e se contorcem, encolhem as pernas e fazem força como se fossem evacuar ou eliminar gases. Vale lembrar que uma crise de cólica nem sempre contém todos os elementos citados pois sua a manifestação é extremamente individual.

O que fazer durante uma crise?

As cólicas melhoram com calor e pressão no abdômen. Algumas sugestões:

  • Coloque o bebê sobre os seus joelhos, sobre uma almofada ou mesmo no colo, procurando apoiar seu abdômen (de bruços).
  • Deite e coloque o bebê sobre seu peito.
  • Massageie o abdômen do bebê. Para isso, coloque um pouco de óleo nas mãos, friccione uma contra a outra para aquecê-las e em seguida faça movimentos semicirculares da região inguinal direita para a esquerda com ligeira pressão na base da mão.
  • Movimentos de flexão das costas em direção ao abdômen também ajudam na medida em que facilitam a liberação de gases e a eliminação de fezes.
  • Um chá morno de erva-doce, não adoçado, alivia o bebê e principalmente aos pais.

Esgotados estes recursos coloque o bebê na sua posição preferida e espere, junto com ele, que mais esta crise cesse. Se você não puder acalma-lo num determinado momento, não se envergonhe de pedir ajuda.

O colo de uma outra pessoa mais tranquila poderá acalmar o bebê.

Remédio resolve?

O uso de medicação para as cólicas “fisiológicas” é um assunto controvertido entre os pediatras. Na maioria das vezes esses remédios são ineficazes e apenas em casos especiais a medicação traz real benefício. A imaturidade do intestino impede a ação efetiva da medicação. Uma ação parcial pode levar à diminuição dos movimentos intestinais e consequentemente à prisão de ventre, podendo converter-se em fator de intensificação das cólicas. É conveniente lembrar que toda droga tem efeitos indesejáveis e que, portanto deve ser ingerida em caso de real necessidade e sob prescrição médica. Manter a calma e pedir ajuda ainda é o melhor remédio…