Harmonizar funções diferentes e por vezes conflitantes como ser mãe de um bebê e trabalhar principalmente após a Licença Maternidade, não é nada simples. Podemos pensar no momento em que a mulher está pronta para sair, com a bolsa e as chaves na mão, quando o seu filho começa a chorar. Nem que seja por uma fração de segundos, ela fica entre o sair e o ficar, para atender o filho.

No inicio parece que não há organização que dê conta. Mesmo mulheres que não veem a hora de voltar para o trabalho sentem uma grande ansiedade quando precisam se separar do filho pequeno. Por isso mesmo os pais precisam decidir com antecedência quem vai cuidar do bebê e onde ele vai ficar. Algumas famílias preferem deixar o bebê em casa, aos cuidados de pessoa de confiança. Outras têm avós disponíveis. 

As escolas de educação infantil do bairro precisam ser visitadas pelos pais que fazem essa opção. No processo de adaptação é importante observar se o bebê se refugia no sono para lidar com a ausência dos pais. Uma alternativa é deixar o bebê no berçário por um tempo menor. Assim que estabelecer laços de confiança com o cuidador, o bebê tende a ficar mais acordado.

Aleitamento materno: É importante manter a mamada da manhã e da noite para manter o corpo a corpo com o bebê, pelo menos por mais alguns meses. Os bebês costumam ficar mais exigentes com as suas mães quando elas voltam a trabalhar. É assim mesmo. De uma forma simples explique para o bebê que a rotina da casa vai mudar e como será a nova rotina. Certamente ele não vai entender todas as suas palavras mas deverá se acalmar por ser considerado pelos adultos de referência. Ele precisa se reassegurar que os pais continuarão cuidando dele.

Como conciliar maternidade e trabalho, sem cair numa cilada? Casar, ser mãe e cuidar do marido e dos filhos é um ideal transmitido de mãe para filha do renascimento até a primeira metade do século XX. Ter um filho é um estatuto de potência e completude. Eis a nossa herança cultural.

Assim, as dúvidas e também a culpa se multiplicam: Como deixar um bebê sem os cuidados maternos? Ele vai aguentar? Serei capaz de ser uma boa mãe? Conseguirei ser igual a minha mãe, naquilo que ela tem de positivo e diferente, naquilo que ela tem de negativo? Continuarei sendo desejada e desejável? Como ficará o casamento? Precisarei abrir mão da minha autonomia e liberdade? E se não der certo?

Nós vivemos um tempo que alimenta a ilusão de que podemos dar conta de absolutamente tudo. As crianças se beneficiam quando têm pai e mãe felizes com o seu trabalho. E nem tão perfeitos assim! Perfeição adoece. Conciliar maternidade e trabalho é possível, mas exige trabalho psíquico. Por isso mesmo, atenção:

 Atenção:

• Humanize os seus ideais.

• Tente somar competências com o seu parceiro, e também com os seus filhos.

• Não caia na cilada de ser uma super mulher e nem tente resolver tudo sozinha.

• Peça ajuda, ofereça ajuda e alimente uma rede de apoio.

• Tente entender criticamente as circunstâncias que te cercam.

• Conciliar maternidade e trabalho é possível. Nem sempre para todas, o tempo todo.

• Invente soluções e rituais que deem sentido à sua vida e à vida das pessoas ao seu redor.

Saiba mais sobre a Roda de Pais e Mães coordenada pela psicanalista Anna Mehoudar.