Vocês podem se tranquilizar: ciúmes e rivalidade entre irmãos fazem parte da nossa humanidade. Basta ser gente para sentir ciúmes e rivalizar.

Nenhuma mãe e nenhum pai estão preparados para ter um segundo filho. Quando o filho mais velho manifesta ciúmes, os pais logo se sentem culpados. São eles quem primeiro se sentem mal pelo mais velho. Os pais têm a sensação de que não podem amar duas crianças ao mesmo tempo; é como se estivessem sendo infiéis no seu amor pelo primogênito, traindo a sua confiança.

O desejo do segundo filho pode se transformar na sensação de estar invadindo a casa do primeiro filho, de submetê-lo a uma situação que poderia ser evitada. Os pais temem que o filho expresse raiva contra eles e viva o temor de ser abandonado. Este sentimento dos pais não poucas vezes alimenta a rivalidade entre os irmãos.

É frequente os pais ouvirem relatos de que quando estão fora de casa os filhos não brigam, e eventualmente até colaboram entre si. Podemos pensar que as crianças têm como objetivo envolver os pais quando manifestam ciúmes ou rivalidade, e encaminhar uma mensagem a eles.

Conviver com outros membros da família é um aprendizado precioso que estende seus resultados para toda a vida. Compartilhar se aprende, e portanto se ensina. Não é possível evitar que os filhos sintam ciúmes e rivalizem. Faz parte da nossa fragilidade humana. Mas podemos ir ensinando os filhos a serem responsáveis pelos outros membros da família, a dividir o espaço e o tempo dos adultos. Quando os filhos chegam na adolescência é a vez dos pais reclamarem que os filhos têm mais tempo para os amigos do que para eles.

Você vai gostar de ler:
– Pais e Filhos: O nascimento de um irmão (1): o papel do pai.
– Pais e Filhos: O nascimento de um irmão (2): ciúmes e rivalidade.