Já vimos que a questão do sono do bebê é bastante complexa. Neste texto vamos considerar o sono como um momento de privacidade, como uma ação que o bebê realiza por sua própria conta e competência; a capacidade de adormecer como conquista. Portanto o ato de adormecer pode ser pensado como uma ação de independência.
A hora de dormir para algumas pessoas, em função da sua própria história, tem um caráter doloroso. Noites de pesadelo ou de terror noturno quando crianças e nas quais não foram atendidos em seu sofrimento são lembrados no momento de colocar o bebê para dormir, o que o torna tenso e difícil, a cada vez.

Pais que trabalham fora o dia todo, ao chegarem em casa, anseiam por poder ficar com o bebê; leva-lo para o berço para dormir se torna sinônimo de se privar da sua companhia. Não poucas vezes acabam por estabelecer como hábito que o bebê durma em suas camas, para prolongar o contato com ele.

Alguns bebês muito ativos e curiosos acordam no meio da noite e pretendem dar continuidade a seu processo de aprendizagem: querem se movimentar, experimentar sem aguardar o dia seguinte. Sabemos que os ciclos de sono leve e profundo (ver O sono do bebê (3)) vão se alternando durante a noite, e se os pais não insistirem que o bebê se acalme, permaneça no berço e volte a conciliar no sono vão acabar estabelecendo uma vigília noturna, o que é completamente contraindicado podendo levar a troca do dia pela noite.

Outros bebês, de caráter muito sensível, suscetíveis a situações novas, independentemente de sua qualidade, pedem mais proteção e acompanhamento muito próximo dos pais. Sua sensibilidade acaba por dificultar aos pais um estímulo para que use seus próprios meios e competência para adormecer e manter o sono durante toda a noite.

Adormecer sozinho e se manter por conta própria no berço durante a noite é um critério que usamos para observar a independência e autonomia do bebê. De fato é uma tranquilidade para os pais quando o bebê consegue alcançar tal habilidade. Ou não. Como dissemos, pode ser aflitivo e incômodo para os pais que a criança prescinda deles durante tantas horas.

Por outro lado, há situações que o bebê e a criança pequena vivem durante o dia que podem eventualmente exigir uma atenção prolongada durante a noite. É necessário que os pais ponderem sobre isso. Eles devem estar seguros que a criança tem condições de ser estimulada e que se insista com ela para dormir no seu berço e se manter acomodada durante toda a noite.

Você vai gostar de ler:
O sono do bebê (1). Posição para dormir.
O sono do bebê (2). Aprendendo a dormir…
O sono do bebê (3). Insônia primária.