Alguns aspectos da vida do recém-nascido funcionam como um termômetro para indicar como ele se sente nesta nova etapa de sua vida. E o sono é um deles.
Bebês que choram muito à noite, que permanecem acordados o dia todo, ou só adormecem quando estão exaustos, ou ainda, que dormem por pequeno espaço de tempo, são fonte de preocupação. A família sofre junto, e apesar de várias tentativas de mudança nos cuidados, não obtém resultados.

Quando a perturbação do sono aparece em bebês depois dos dois primeiros meses de vida ela é denominada insônia primária. Até esta idade não se configura como insônia. Dificuldades pontuais, uma noite ou outra, um dia ou outro não podem ser caracterizadas desta forma. Em dia especialmente carregado, ou quando a mãe não pôde estar muito disponível, o bebê pode eventualmente chorar durante a noite.
Independentemente do que desencadeou a insônia, quando instalada, ela pode causar distúrbios secundários importantes, o que acaba criando um círculo vicioso no qual os pais muitas vezes ficam mais afetados que os próprios bebês.

Os distúrbios de sono são frequentes e não implicam em desdobramentos importantes do ponto de vista do desenvolvimento global da criança. Apesar de terem um caráter ruidoso, excessivo, não indicam uma gravidade proporcional. Podem ser pensados como um sinal de apelo, uma expressão de desamparo.

Definir o que seja o sono não é muito simples: uns o tratam como uma espécie de suspensão, outros, ao contrário, uma atividade. A existência de um centro neurológico do sono nos leva a pensar que ele não é um ato que se caracterize pela passividade. A atividade do sono supõe um ritmo: os intervalos das mamadas, hoje se sabe disso, devem ser reguladas, até certo ponto, pelo bebê. Ocorre o mesmo com o sono.

As diferentes formas de distúrbio de sono não têm uma causa facilmente determinada. É preferível levar em conta que cada criança e pais tem uma história, e cada distúrbio de sono é um. Ressaltado este ponto podemos pensar inicialmente em algumas questões que aparecem com frequência nas famílias cujos bebês sofrem com o sono, embora não sejam decisivas para entendê-lo.

– A dificuldade em ficar sozinho, em se separar da mãe (ou daquele que cuida) a que o ato de dormir obriga, pode ser uma das razões. Pode estar ligada a um excesso de ansiedade que a mãe dirige ao bebê e que se desdobra numa hipervigilância. A mãe fica insegura se desprega os olhos do bebê. Em resposta ele fica acordado…

– A falta de um modo mais constante no trato com a criança, pode estar presente entre bebês que não dormem bem. Ora a mãe é carinhosa, tem paciência, ora ela se irrita, quando não se torna francamente agressiva. E as duas formas podem se manifestar muito próxima uma da outra gerando uma resposta igualmente caótica do bebê. A mãe tem uma forma idealizada de maternidade, onde a tolerância e disponibilidade não tem limites, e se vê submetida logo em seguida a uma irrupção de revolta ao se sentir brutalmente exigida no seu papel de mãe.

A escuta cuidadosa dos pais e a proposta de algumas mudanças no modo de lidar com o bebê podem trazer bons resultados. Alguns psicanalistas se especializaram na escuta de pais e bebês. Vale a pena marcar uma consulta.

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Como cuidar do bebê: O sono do bebê (1). Posição para dormir.
Como cuidar do bebê: O sono do bebê (2). Aprendendo a dormir…
Como cuidar do bebê: O sono do bebê (4). Sinal de autonomia.