Poucas coisas na vida são tão desesperadoras quanto a impossibilidade de dormir.
Como os recém-nascidos precisam ser alimentados mesmo durante a madrugada, torna-se um período difícil para os pais, especialmente para a mãe.
Devagar, pouco a pouco, ao alcançarem melhor capacidade de sucção e ingestão os bebês passam a se alimentar com maiores quantidades de leite, e assim adquirem a competência para dormir um maior número de horas. A quantidade de leite ingerido é uma das variáveis que influenciam na capacidade de sono do bebê.

O bebê precisa aprender a dormir. Conciliar no sono é um ato a ser aprendido, ele implica  abrir mão do estado de vigília, da atenção que mantemos ao que acontece a nossa volta. E isso não tem nada de automático, nem instintivo.

Cada bebê tem ciclos próprios de sono, entre o leve e o profundo. Esses ciclos vão se estabelecer ainda antes do nascimento e se inspiram nos ciclos da mãe grávida embora não sejam paralelos, pois o feto pode dormir enquanto a mãe está ativa, e pode acordar enquanto ela dorme. É depois do nascimento que o ambiente vai pressionando o bebê a ter mais horas de vigília durante o dia e períodos de sono cada vez mais longos durante a noite.

Pensemos num período de 4 horas de sono. Destas temos uma hora e meia, aproximadamente, de sono profundo quando o bebê dificilmente pode ser acordado e se mexe pouco. O período antes e depois deste sono profundo é considerado sono leve. Depois destas 4 horas o bebê entra num estado de atenção semi alerta, quando fica no limiar da consciência, e é muito fácil acordá-lo. Neste intervalo cada bebê tem um jeito próprio de administrar o tempo: mexe as mãos, o corpo, quando pode chupa os dedos, chora um pouco, mexe a cabeça ritmicamente. Estas ações tem a função de prepará-lo para o próximo ciclo de sono (leve, profundo, leve).

Quando o próprio bebê aprende a administrar este período semi alerta ele pode devagar estender o tempo de sono até seis, oito ou mais horas. Mas se neste momento do período semi alerta você conversar com ele, alimentá-lo, mexer com ele, o bebê não terá tempo de aprender a criar um padrão pessoal e esperar a chegada do novo ciclo de sono. Portanto, aprende-se a dormir.

Há uma estatística americana (é sempre bom ficar com um pé atrás com as estatísticas, independentemente de onde venham) sobre o sono: 70% das crianças dormem oito horas por noite aos 3 meses de idade, e 80% alcançam este número de horas aos 6 meses de idade. Este número de horas é determinado pela combinação de vários fatores:
– Os pais não reagem prontamente às solicitações do bebê durante a noite
– A casa está silenciosa
– A própria criança busca ter um sono mais prolongado.

De modo geral os bebês nascidos prematuramente levam mais tempo para atingir oito horas de sono ininterrupto.
Vale a pena confiar na capacidade de aprendizado do seu filho(a).

Texto inspirado no livro: Momentos Decisivos do Desenvolvimento Infantil. Brazelton TB. SP. Martins Fontes, 1994

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